Carisma: tem gente que tem e quem não tem
- Marcelo Leite
- 1 de jun. de 2024
- 3 min de leitura

Uma das questões menos abordadas no mundo das produções de vídeos é essa. Até porque carisma é uma coisa que você tem ou não tem. Tipo bumbum, ou você tem, ou não tem. Pode colocar enchimento calça em que levanta o parte de trás, mas é tudo um paliativo. Uma hora vão ver que é tudo artificial.
A verdade é que o sucesso de muitos canais está centrado no carisma de seus produtores. Vemos muitos casos em que o produtor de conteúdo tem pouca técnica, roteiros bem sem vergonha, temáticas muito “mais do mesmo” e ainda assim conseguem um crescimento de canal estratosférico. E, para entender o tal do carisma, vamos partir de dois pontos: representatividade real e representatividade ideal. Resumida e respectivamente, o criador me representa porque dialoga comigo (linguagem, aparência, universo cultural etc) ou ele representa algo que eu desejo (ser bonita, nova, elegante, chique, rica etc). Vamos dedicar as próximas linhas desse artigo para pensar sobre isso.
A representatividade é algo muito forte e, sem dúvida, as pessoas reagem melhor aqui quando o que foi apresentado dialoga com a identidade de quem assiste. Por exemplo, “olha, eu falo desse jeito”, “olha, eu me visto desse jeito”, “olha, eu conheço essas referências culturais”... E vai por aí. Essa é a representatividade real, mas também existe a ideal que nada mais é do que aquela do que desejamos. Em suma, esse ideal se constrói a partir de algo que desejamos ser. Isso explica por que canais com mocinhas jovens, bonitas sensuais e ostentando prosperidade financeira apresentam engajamento tão grande, é o ideal de representação. Ou se quer ser aquilo ou se deseja ter aquilo que se vê.
Sendo assim, a fórmula mocinha nova (juventude) + bonita (ideia de beleza da mídia) + dançando (sensualidade) + beira de uma piscina (ostentação de padrão financeiro) vai fazer sucesso porque reflete o que se quer ser ou ter. Mesmo que esse desejo se processe em níveis inconscientes. Você deseja, mas não sabe ou fala sobre abertamente. Essa representatividade ideal é muito forte e amplamente usada na publicidade para se vender algo. É fato que é importante fazer com que as pessoas se identifiquem com a linguagem para chegar nelas.
Entretanto, falar da representatividade real é falar de algo muito mais complexo, pois envolve não o que eu quero ser, mas o que eu sou e, da mesma forma que Narciso acha feio o que não é espelho, tudo aquilo que reflete o que você é cria intimidade, proximidade. Vou te dar dois exemplos interessante: Primeiro, a opinião do seu amigo sobre um produto tem mais impacto na sua decisão de compra do que só a publicidade. Seu amigo comprou, gostou.. Huummm! Deve valer a pena. Então, se quem fala está mais perto de você, é sinal que de a mensagem tem mais chance de ter uma resposta positiva. E, por fim, isso também aparece quando encontramos uma pessoa de nossa cidade em outro lugar. Mesmo que a gente só se conheça de vista em nossa cidade, em outra, cumprimentamos como se fôssemos velhos conhecidos. Isso é a tal da representatividade.
Um canal com alguém que fala como você, que tem as mesmas referências e valores culturais vai emplacar melhor do que um que lhe é estranho. Sotaque, costumes, referências, realidades, tudo isso te aproxima do seu público. O carisma a que me referi no início vai acima disso, mas se vale disso também. Digamos que, se você tem essa representatividade com quem te vê maior é sua aceitação.
E se você não tem? Não se desespere. Isso não te inviabiliza, mas te obriga a ter um conteúdo que foque em formato, roteiros e temáticas que tente dialogar com aquele público. Isso é um desafio árduo e constante. Fazer o que os outros querem consumir sem estar no lugar do outro. Trata-se de um exercício de empatia e estudo constante. Fácil? Claro que não, mas desafiador.




Ok
Olá! Prof . Marcelo adorei o artigo sobre carisma, muito boa a explanação. Realmente o carisma são para poucos!!!
Gostei !