Entendendo a Taxa de Conclusão
- Marcelo Leite
- 24 de fev. de 2024
- 4 min de leitura

A primeira coisa aqui é entender o que é Taxa de Conclusão. Trata-se de uma taxa que avalia o tempo que as pessoas ficam no seu vídeo. Isso é expresso em percentual de tempo. Uma taxa de 10%, por exemplo, significa que, no montante X de vídeos 10% das pessoas assistiram seu conteúdo até o final. Se você teve 1000 visualizações, logo, aproximadamente 100 pessoas assistiram seu vídeo até o fim. Essa taxa não reflete a realidade dos seus vídeos, uma vez que, depois de terminada a mensagem central, muitas vezes, as pessoas saem do seu vídeo antes.
Entretanto, ela sinaliza que os espectadores “gostam” do seu conteúdo? Não necessariamente como veremos adiante, mas de certa forma sim. Então, a solução é fazer vídeos pequenos porque é mais fácil conseguir 100% de tempo de retenção em um vídeo de 2 segundos do que em um vídeo de 1 minuto. Teoricamente sim, mas, na verdade, não. O algortimo não vai computar vídeos com esse tamanho de 2 segundos. Ele só computa visualização a partir de 3 segundos e, no caso do Kwai, só pontua ou paga nas promoções com 8 segundos ou mais. Não funciona a estratégia do tempo mais curto. Desista dela.
Então a solução seria fazer vídeos com o menor tempo permitido, 8 segundos, para distribuir melhor? Aí entra a segunda coisa que você precisa saber. Nenhuma métrica sozinha sinaliza para o algoritmo que o conteúdo tem qualidade (mértrica) para ser distribuído. São necessárias duas ou mais respostas: Taxa de Conclusão + comentários, Taxa de Conclusão + curtidas, por exemplo. E o problema começa nesse ponto. Se você usa uma estratégia de conteúdo zero e artimanhas para força o espectador a ler um texto e adivinhar a palavra lendo ao contrário, você está nitidamente iludindo a pessoa que vai ler a palavra e descobrir que não significa nada. Você a fez de boba. Dessa forma, você mata todas as possibilidades de ela curtir ou comentar, afinal, você trapaceou e ela sacou. Com uma métrica positiva só, o algoritmo não vai te distribuir bem. Trabalhe um conteúdo que inspire as pessoas a curtirem ou comentarem. Vídeos com boa distribuição não são aqueles que possuem altas taxas de conclusão, mas aqueles que mesclam métricas que fazem o algoritmo entender que o conteúdo vale a pena ser distribuídos, pois muitos assistirão a ele.
Eis algumas estratégias que só focam em taxa de distribuição e são desastrosas porque o produtor não entende que ele precisa operar como outras métricas para que a resposta do algoritmo seja positiva. Com certeza, você já viu alguns desses casos.
1. Apresentador aparece atrás de um texto em tela com uma música, faz uma insinuação sexual e escreve uma palavra com emojis para você decifrar. Ou mesmo diz que palavra abaixo deve ser lida ao contrário para desvendar o significado. E normalmente, não significa nada.
2. Apresentador coloca um texto acima da cabeça enquanto te faz esperar pela continuação da resposta logo abaixo que ele faz aparecer muito rápido para obrigado a pessoa a parar para ver o que é. Caso clássico de conteúdo zero.
3. Apresentador usa imagem de vídeo ao fundo com texto longo na frente. O texto é sempre incompleto e normalmente escrito de forma confusa para gerar sensação de confusão e necessidade de interpretação de quem vê por curiosidade mesmo. A ideia é forçar várias leituras e finalizações do vídeo.
4. Apresentadora mulher aparece de costas ou só um pedaço com frase do tipo“ me disseram que ninguém vai me querer assim”. Vídeo segue os segundos iniciais, ao final mostra rápido o corpo e rosto. Apelo a curiosidade. Conteúdo de baixa qualidade. Gera retenção, mas poucos likes se as pessoas não conseguirem visualizar completamente a imagem.
Existem muitos truques para reter o usuário no vídeo até o fim. Todos reunem baixo valor de conteúdo e estratégias com as que foram citadas. A retenção que agrega valor ao conteúdo é a que gera curtida, comentário e compartilhamento. Nos casos citados, esses vídeos enganam os consumidores de conteúdo e até mesmo os produtores que não sabem, mas não terão a distribuição sem o engajamento das outras métricas.
Enfim, todas essas são estratégias desonestas para gerar retenção, mas que são tiros que saem pela culatra, já que uma vez que a pessoa percebe que foi enganada, ela não curte, não compartilha e, dificilmente, comenta. Gera somente uma métrica positiva que não interfere muito na distribuição. Outra marca negativa que deixa é a de um criador sem conteúdo e que se vale de subterfúgios manipuladores para não entregar nenhum conteúdo. Com o tempo, as pessoas passam a subir os vídeos deles sem nem completar os 3 segundo iniciais e isso, realmente, trava o vídeo nas chamadas bolhas (ou ciclos distributivos).
Em resumo, a Taxa de Conclusão é importante, mas se a sua ideia é usar estratégias de conteúdo zero, vídeos muito curtos e recursos para enganar o espectador, o projeto já é um fracasso. É necessário que duas ou mais métricas se agreguem para melhorar a distribuição. Trabalhe no tamanho do seu nicho (para isso, teste muitos formatos e horários diferentes. Vamos falar sobre isso ainda aqui) e explore temas em alta para obter curtidas ou comentários.
Não tem milagre, tem trabalho e aprendizagem.




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