Ninguém comenta nos seus vídeos
- Marcelo Leite
- 2 de mar. de 2024
- 5 min de leitura

A terceira métrica mais relevante é o comentário. Se você consegue agregar taxa de conclusão, curtida e comentário, você, com certeza, viralizou o vídeo. Essas são as cerejas do bolo nas métricas. O compartilhamento é o assunto de nosso próximo capítulo e envolve implicações mais complexas que vou tratar mais adiante. Mas só com as 3 de que falei, posso garantir que você já está no reino dos céus das redes sociais de vídeos curtos.
“Mas, professor, ninguém comenta meus vídeos. Acho que as pessoas têm preguiça de escrever.’ Para com isso... Eu escuto/leio isso muitas vezes por semana e esse argumento já deu.
Seu raciocínio está parcialmente correto, sendo que a parte que está correta é muito pequena. Colocar a culpa de uma falha sua no outro é uma maneira desonesta de se isentar da responsabilidade de resolver o problema. Afinal, você é só mais uma pobre vítima da preguiça alheia. Coitadinho de você. Não é bem assim. Aliás, não é nada assim.
Primeiro vamos entender o que é o comentário. Essa ação constitui a chamada métrica de interação profunda (a curtida é uma métrica superficial e de reação imediata, um pouco diferente), o usuário conversa com você, critica, pergunta, elogia mesmo que seja com um emojis. Ele reage além de uma curtida ao seu conteúdo. Mas, por que alguém interage com seu conteúdo?
Aí temos uma resposta que se desdobra em duas possibilidades: relevância de conteúdo. E aí desdobramos em relevância positiva (o espectador considera que seu conteúdo agrega algo a ele divertindo, ensinando, informando. Enfim, é positivamente relevante para ele a ponto de ele te parabenizar, perguntar, complementar seu conteúdo). A outra relevância é negativa. A pessoa que assiste considera seu conteúdo de alguma forma afrontosa, revoltante, enfim, causa incômodo a ela.
No caso, de um conteúdo que ensina (como é o meu), tenho uma forte incidência de comentários com perguntas, complementações, percepções pessoais do tema e elogios. Isso é positivo e tenho por hábito responder aos comentários postados em até 24 horas após a subida do vídeo. Isso aumenta meu tráfego no vídeo. Entretanto, há o lado sombrio da relevância, a negativa. Temas polêmicos, preconceituosos ou simplesmente uma mulher de mais idade dançando de biquíni já é o motivo suficiente para os haters “farejarem o cheiro de sangue na água” como tubarões e virem com força total agredindo com todo tipo de ofensa. Isso gera o engajamento da relevância negativa.
Esse fenômeno pode ser uma relevância negativa voluntária (RNV) ou involuntária (RVI). Esse caso da senhora dançando trata-se de um evento involuntário. Ela não postou o vídeo com a ideia de ser agredida para engajar. Isso se chama RNI, não voluntária (não foi por vontade do produtor de conteúdo). Entretanto, existe a RNV, voluntária, foi feita por vontade própria para chocar e trazer os haters que cheio de ódio sempre, mas dotado sempre de baixa inteligência, vem em busca de “sangue” e geram engajamento para o produtor de conteúdo picareta. Isso é muito comum com aquelas moças ou rapazes que fazem comentários preconceituosos ou declarações polêmicas propositais para que as pessoas reajam. Outro dia, vi uma moça dizendo que não gostava de velho porque homem depois dos 35 não consegue fazer o negócio subir para satisfazê-la”. Os comentários estavam cheios de homens ofendendo-a de toda forma. Esse recurso é muito comum.
O que me causou estranheza nesse caso acima foi o público destinado. Provocar os mais novos é mais eficiente. Ela optou pelos mais velhos. O público de haters é maior na garotada, mas nesse caso, os coroas mostraram que, na hora de odiar e ofender, também são eficientes. A propósito, tenho 52 anos, não me ofendi e só assisti ao vídeo para entender a estratégia que já havia visto em outros canais. Sim... é muito usada.
Entendido por que as pessoas não comentam, podemos dizer que o seu assunto do vídeo não tem relevância para quem assiste ou está sendo mal trabalhado mesmo. Vamos às duas hipóteses. Existe uma diferença entre tema/nicho/assunto. Tema/nicho refere-se a seu canal, ao direcionamento temático do seu canal. Já o assunto é o que você fala em um vídeo. Isso muda dia a dia. Uma pessoa que fala sobre dicas pode um dia falar sobre edição, no outro sobre algoritmo, no outro sobre promoções, enfim. O assunto varia dentro de um mesmo tema. E aí é que está. Assuntos podem não agradar mesmo que gosta do seu tema. Ou seja, aquele conteúdo para alguns pode não ser relevante. Mesmo que ele ainda goste do seu nicho/tema. Fique sempre ligado aos assuntos em alta dentro do seu nicho, pegue ideias em outros canais de faça o seu melhor com elas. Busque superar a versão original e não repetir. Isso faz a diferença.
A segunda hipótese é que o assunto é bom, mas você está trabalhando mal e aí vão algumas sugestões para melhorar sua abordagem.
Entregue, não enrole – apresente o assunto resumidamente e entregue o conteúdo depois. Não fique enrolando. Isso enche a paciência de quem está assistindo. Se tem dificuldade de ser direto, escreva antes de falar e corte o excesso antes de gravar. Isso ajuda muito.
Não peça like antes de entregar – Se você nem disse para quem veio não vem com essa conversar de vai deixando seu like. Deixa para quê? Você nem me entregou o conteúdo. Isso fica feio. Pelo menos, diz a que veio. Lembre que você pode pedir o quiser, se não tiver conteúdo relevante, não vão te dar.
Foque no conteúdo. Foque na qualidade de gravação – faça um vídeo que agrade visualmente às pessoas. Isso ajuda a criar relevância ao seu conteúdo. Quando o espectador vê que houve cuidado e esmero na elaboração do vídeo, isso chama a atenção.
Use CTA (Call to Action – chamadas para a ação) - no meio de seu texto, peça para que as pessoas digam o que acham, se já viveram algo assim, se concordam. Enfim, provoque-as, principalmente, nos segundos finais do seu vídeo. O que vai determinar a ação delas é a relevância positiva com a forma como você as provoca.
Então, resumidamente é isso. As pessoas não comentam seu vídeo porque o tema não lhes é relevante nem positiva, nem negativamente. Por isso, busque temas que estejam em alta no seu nicho e trabalhe com a ideia de ser muito melhor do que o original. Descoberto os temas trabalhe-os bem com uma boa produção e inserindo CTA no seu texto.
Entretanto, esteja ciente de uma coisa. Nem todo mundo gosta de nosso nicho, nem da gente. Então, mesmo que você faça tudo certo e adquira prática, aquele espectador que não gosta de vídeo motivacional (se esse é o seu nicho) vai continuar não gostando nem de você, nem do seu nicho. Se você faz dancinha, o espectador não gosta de dancinha, talvez, ele só entre no seu vídeo por relevância negativa. E, sinceramente, não sei até que ponto isso é interessante. Aquela coisa do falem bem ou mal, mas falem de mim me faz pensar qual é o nosso limite para ganhar engajamento nessas plataformas.
Por exemplo, eu faço educacional em um país onde as pessoas buscam o milagre da dica mágica para tudo na vida. Aprender, estudar, praticar são palavras que causam aversão à imensa maioria dos novos produtores que esperam o famoso “faz um milagre em mim”. Eu nado contra essa maré. Logo, eu consigo ter rejeição de quem não gosta do tema e de quem gosta, mas espera de mim a dica maravilhosa do milagre da viralização. O preço que eu pago? Tenho 3 anos e não atingi os 200k de seguidores e meus vídeos dificilmente batem mais de 10K de visualizações. E eu penso em mudar? Claro que não. Uma coisa que eu não acredito é que essas plataformas precisem de mais um mentiroso. E, por fim, mentir para o outro é desconfortável e viola tudo que acredito, mas, depois de tudo que sei sobre o funcionamento da plataforma, mentir para mim é inaceitável.




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